terça-feira, 1 de novembro de 2011

Curupira

Galerinha!!!! Tá correria aqui, tomara que eu consiga acabar a tempo =]


O curupira é o mito que provavelmente sofreu a menor quantidade de alterações em relação ao período pré-descobrimento, apesar de ter sido ele também, o primeiro a ser “exportado”. Para os índios ele era uma “divindade”, se é que se pode chamar assim, tendo em vista que os nativos brasileiros, não tinha qualquer tipo de culto a essa criatura, ou a nenhum outro ídolo, ou acreditavam em qualquer sorte.

Curu, abreviação de curumim que significa menino, e pira corpo, ou seja, corpo de menino. Uma entidade imortal, aprisionada em corpo infantil, que protege as matas, e possui o corpo coberto de pelos, sem qualquer orifício necessário para secreções indispensáveis a vida.

Já no sul, ele aparece como um ser, hora com cabelos vermelho, hora careca, com porcos do mato de montaria, e que bate nas arvores com um enorme falo, para ver se as arvores estão prontas para aguentar tempestades. Para algumas tribos da região da argentina, a criatura utiliza seu membro para enrolar os inimigos, como faria uma cobra.

Apesar do mito ser tão bem delineado no norte e sul do país, ele se perde e se funde com outro, em toda a região central de nosso país. Se confunde o tempo todo com o/a caipora, ou mesmo com o saci aparecendo com um pé só.

A cabeleira de fogo que aparece em algumas regiões de São Paulo (que é inclusive a versão que eu ouvia quando criança) provavelmente vem de uma confusão com o boitatá, outro protetor das matas, porem com uma aparência completamente diferente: uma cobra flamejante.

A pele cinza, ou parda avermelhada, como lhe era atribuída antes da colonização, foi trocada por uma pele branca pelos europeus, pois esses o imaginavam como um ruivo, ao ouvirem versões que diziam ter, a criatura, cabelos vermelhos.

A origem mais difícil de se rastrear, porém, é a dos pés virados para trás. Uma estratégia muito inteligente, diga-se de passagem. O estudioso Barbosa Rodrigues, acredita que essa característica se filia aos mitos asiáticos, trazidos a América pelos povos invasores (os próprios índios) que migraram para cá no período pré-colombiano.

O sacerdote Cristóvão de Acunha, ouviu relatos dos próprios Tupinambás, que diziam que na tribo dos Matuicés, as pessoas possuíam os calcanhares virados para frente. E apesar da informação ser de difícil crédulo, ela reaparece na “Crônica da Companhia de Jesus no Estado do Brasil” escrito pelo jesuíta missionário Simão de Vasconcelos, onde se transcreve: “casta de gente nasce com os pés as avessas de maneira que quem houver de seguir seu caminho há de andar ao revés do que vão mostrando as pisadas; chama-se Matuiús”

Quanto ao tamanho, apesar do nome, que já foi explicado no inicio, o mais comum é que ele possua tamanho de um ser humano normal, já para os índios Xerentes, ele é um gigante cinzento, mostrando que quando se trata de folclore, regras simplesmente não existem.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Espaguete

De inicio o termo spaghetti western, tinha conotação pejorativa, e foi inventada por críticos que diziam que esse filmes não possuíam raízes culturais, não passando de imitações baratas e oportunistas.

Para Gaston Haustrate, critico de cinema, os diretores do faroeste espaguete eram claramente incapazes de apreciar a “alma” do “autêntico western”, eles decidiram então “deformar” certos aspectos formais do gênero, e revelaram assim os piores excessos do “temperamento Mediterrâneo”.

Mas o que os italianos teriam feito para gerar tamanha fúria, e até mesmo comentários com um certo cunho preconceituoso disfarçado?

Para mim, tudo não passa de um joguinho de “não mexa no que é meu”; Os italianos, sempre produziram filmes incríveis, de notável poesia e qualidade, tanto quanto filmes oportunistas, que pretendem gerar lucros apenas por sua explicitação gráfica, e o atendimento de uma demanda de gênero no mercado (exemplo: fazer filmes pós-apocalípticos depois do sucesso de Mad Max – 1979, George Miller). E no faroeste, encontramos ambos os casos.

O subgênero espaguete começou com um fenômeno mundial: o aclamadíssimo filme Por um Punhado de Dólares – Per un Pugno di Dollari, filme italiano de 1964, dirigido por Sergio Leone, estrelado por Clint Eastwood, misturava um elenco de estadunidenses e italianos, gravado na Espanha, e baseado no filme japonês de Akira Kurosawa Yojimbo, o guarda-costas – Yojimbo 1961.

O pistoleiro sem nome


A idéia de basear um filme de western em um filme de samurais é brilhante, pois as duas figuras, do samurai e do caubói, são muito semelhantes se pararmos para pensar. Porém, esses são méritos que não me cabem aqui discorrer, abro esse parágrafos apenas para transcorrer a seguinte curiosidade: a moda pegou, a partir de então até mesmo Holywood passou a produzir filmes de faroeste inspirados em filmes de samurais.

O filme de Leone fez tanto sucesso, que reanimou o gênero, que já estava em decadência nos EUA dês da década anterior. O filme gerou uma sequência: Por uns Dólares a Mais - Per qualche dollaro in più de 1965, um prequel (denominação usada para denominar produções lançadas depois, que narram os acontecimentos anteriores aos filmes que se sucedem) Três Homens em Conflito - Il buono, il brutto, il cativo de 1965, também conhecido como “O bom, o mal e o feio”, esse último não é apenas considerado o melhor faroeste espaguete já feito, nem tampouco apenas um dos melhores westerns, mas sim, um marco na história do cinema, e um dos melhores filmes já feitos. Para ser ter uma pequena noção, a música tema, que toca durante a tela título, virou o maior estereótipo que o gênero western possui. Estas três películas ficaram conhecidas como “A trilogia dólar”.

Mas esse era só o começo do subgênero, que durou até 1978. Com o passar do tempo cinco características foram claramente delineadas, variações em relação aos westerns tradicionais. São elas:

_Maneirismo, ou seja, se afastar da realidade a fim de elevar a produção a um patamar mais épico, mais extraordinário e mais emocionante. Característica presente desde a Trilogia Dólar.

_O picaresco, que são os heróis trapaceiros e malandros.

_Teor político e criticas sociais contra o imperialismo norte americano.

_Clima funesto e macabro. Um bom exemplo é o inicio do filme Django (Django, 1966, Sergio Corbucci) onde o protagonista aparece atravessando um deserto a pé arrastando algo que esta fora do enquadramento, um corte para seus pés em um lamaçal, a câmera finalmente mostra o que ele arrasta, é um caixão, neste exato momento o título do filme aparece em superposição.

_Westerns leves. No caso, comédias de faroeste.

Todas essas características são herdadas dos chamados Peplums,os filmes italianos de aventura pseudomitológicos, onde os heróis eram sobre-humanos e fortes. Esse gênero é o pai dos faroestes espaguete, basta trocar os músculos por revólveres.

Mas a revolução do espaguete não para por ai, nesses filme temos pela primeira vez o protagonista sujo, a desglamurização dos lugares. Violência em quantidades nunca antes vistas. A falta de herói. Os climas densos e pessimistas. Não é errado dizer, que na ânsia de deixar um clima mais realista nas produções, os italianos acabaram por “pecar” pelo excesso. Na tentativa, por exemplo, de fazer algo sujo, cheio de areia, como provavelmente são as cidadelas no meio do deserto, os cenógrafos enchiam os personagens, com tanta poeira, que virava algo até caricato.

E é ai que entra o cinema B italiano.

O termo “filme B” surgiu nos EUA na década de 1920, durante o que se chamava de “sessão duplo”, onde se ia ao cinema e pagando um ingresso se assistia a dois filmes: o primeiro, a tração principal, era chamado de filme A, o segundo a ser exibido normalmente era do mesmo gênero do primeiro, porem sendo uma produção mais barata e menos lapidada, já que era feita com o proposito de ser apenas um complemento de outro filme, esses eram chamados de filmes B. O termo se ampliou, e nos dias atuais é utilizado para designar qualquer produção barata, com poucos recursos. Um dos países que teve a maior produção de filmes B, foi a Itália.

O auge do cinema B italiano foi entre as décadas de 60 e 90, onde os produtores de lá utilizavam os assuntos em pauta (um exemplo, já citado anteriormente, filme pós-apocalípticos lançados depois do sucesso de Mad Max), para lançar dezenas de filmes com o mesmo assunto, de maneira rápida, mal feita e apenas para gerar lucros. Onde todos os elementos eram exageradíssimos, para atrair ainda mais publico, assim como um forte apelo erótico. É claro que o faroeste espaguete não saiu ileso dessa. Como uma cascata, despencavam produções, uma mais caricatural que a outra, cada qual tentando fazer o vilão mais desumano possível e o protagonista hábil com armas de fogo, com rajadas de violência e também de erotismo.

Esses filmes, de tão exagerados, caíram no ridículo e passaram a parecer comédias pastelão, sendo impossível não rir com alguns deles. Outro exagero, são a quantidade de sequências, provavelmente para economizar tempo de produção, o personagem Django por exemplo estrela 18 produções, e quase nunca é interpretado pelo mesmo ator.

No fim o termo que inicialmente era uma ofensa: faroeste espaguete, acabou sendo amplamente utilizado, e adotado por todos, virando um, digamos, “apelido carinhoso”.

Esse subgênero ainda transformou para sempre os westerns hollywoodianos, que, vendo o sucesso que faziam, acabou por incorporar muito de sua estética. Os westerns pós-espaguete são mais abertos e variados, muitas vezes incorporam narrativas complexas, e gostam de se aproximar mais da verdade humana.

Certo. Agora que tudo está devidamente explicado, ou assassinado, levando em consideração que eu resumi décadas inteiras em um único paragrafo. Eu gostaria de falar sobre um filme especifico, que para mim é o faroeste espaguete definitivo, mais do que isso, o western definitivo. Graças a ele que mudei minha visão a respeito desse gênero, que antigamente, eu não tinha vergonha alguma de admitir, não era muito do meu agrado. É bem verdade que até hoje existem muitos westerns clássicos que eu não gosto, porém esse filme me fez receber de braços abertos qualquer faroeste italiano, mas existe um toque de frustração nisso também, como para mim ele é o melhor, e também o primeiro do subgênero que eu assisti, não importa quantos outros filmes, dentro da mesma temática, eu assista depois desse, nenhum será capaz de destrona-lo.

O filme em questão é Era uma Vez no Oeste - C'era una volta il West, de 1968. Quando eu assisti esse filme pela primeira vez, não faz muito tempo, inicio de 2009, foi de maneira despretensiosa, já se passavam das três da manhã da madrugada de um sábado para domingo, quando surge a ideia entre os moradores da minha “república” de assistir a um filme, e esse foi o escolhido. Como o filme tem três horas de duração, achei que teria que dividi-lo em duas partes, e terminar de assistir apenas no dia seguinte. Ledo engano, o filme começou, e ao contrario dos meus colegas, que foram caindo no sono um a um, eu permaneci, extasiado, hipnotizado, com meus olhos vidrados na tela. Era tudo tão perfeito! As cenas externas, a cenografia, a interpretação, a feiura dos personagens! Tudo magistralmente encaixado e embalado pela trilha sonora simplesmente fantástica composta por Ennio Morricone.

Quando você assiste a todos os westerns feitos por Sergio Leone, que são quatro: a trilogia dólar e Era uma Vez no Oeste, na sequência em que foram feitos, é fácil perceber a evolução da técnica de narrativa pelo qual passou Leone.

Começamos com Por um Punhado de Dólares, filme onde um pistoleiro sem nome (Clint Eastwood) chega a uma cidadezinha pequena, dividida por dois grupos que lutam pelo controle da região. A película tem pouco mais de 90 minutos, e nela existe uma porção de personagens, situações, diálogos e reviravoltas no enredo.

Então passamos para Por uns Dólares a mais, onde vemos o mesmo pistoleiro sem nome novamente, dessa vez seguindo os rastros de um grupo de foras-da-lei, ainda mais (fora da lei) que ele próprio, para isso ele terá que competir com um coronel (Lee Van Cleef) pela captura dos bandidos. Dessa vez, tudo decorre em duas horas, em um roteiro mais simples, e apesar de uma quantidade ainda relativamente grande de personagens, podemos resumir os que realmente importam em três: os dois já citados, mais o líder da gangue El Índio. Nesse filme, os personagens ainda falam bastante.

Em Três Homens em Conflito, vemos episódio ocorrido antes do filme Por um Punhado de Dólares. O filme tem mais de três horas, a história mais simples contada até agora, e o único que realmente gosta de falar, é Tuco (Eli Wallach). E dessa vez realmente são apenas três personagens: o feio (o mexicano Tuco no caso), o bom (Clint Eastwood, com o mesmo personagem) e o mal (Lee Van Cleef, que apesar de interpretar um personagem completamente diferente, tem uma caracterização idêntica ao filme anterior). A narrativa tenta ser tão simplificada, que só sabemos que o filme vem antes, dos outros dois, de maneira subjetiva, em uma cena no final, onde o pistoleiro sem nome consegue o seu característico poncho, usado nos outros dois filmes.

É fácil prever o que teríamos em Era uma Vez no Oeste não é? Foi até bom que esse tenha sido o último western feito por Leone. Imagino que se ele tivesse continuado, talvez teríamos filmes que seriam a síntese da síntese da síntese. Com histórias tão simples que nem existiriam, filmes onde existiriam apenas o duelo, apenas dois personagens sem nome, e cada um com direito a apenas uma frase de impacto. Brincadeiras a parte, melhor dar continuidade:

Apesar de agora serem cinco personagens, e todos brilhantemente desenvolvidos, podemos dizer que os que realmente importam, são apenas dois: O homem com a gaita, ou simplesmente Gaita (The man with the harmonica, interpretado por Charles Bronson) e Frank (Henri Fonda), e durante as três horas de filme, o que vemos é basicamente um acerto de conta entre os dois. Não existem diálogos mundanos aqui, todos são feitos utilizando-se apenas frases, com uma poesia dificilmente igualada em outros filmes. E uma última característica que torna essa película uma obra prima maior, é o fato de que todos os personagens masculinos sabem que não chegarão vivos até o fim, transformando o filme, nas palavras do próprio Leone: em um dança da morte.

O clímax do filme é a sequência (conjuntos de cenas que formam uma unidade de ação dramática) que eu mais gosto, e digo isso, não apenas dentro desse filme, mas a sequencia que eu mais gosto, de qualquer filme que vi até agora. O momento que antecede o clímax, é uma conversa entre Frank e Gaita, onde o primeiro deixa claro que naquele momento, o dinheiro não importa a eles, que as terras não importam, que a mulher não importa, pois o futuro, o futuro não pertence a eles, tudo o que eles tem, é o presente. Logo em seguida um diálogo semicômico entre Cheyenne (Jason Robards) e Jill McBain (Claudia Cardinale), lembrando que nenhum dos dois personagens é um alivio cômico na trama, essa cena serve simplesmente como uma, usando um termo musical, diminuição de tom para que se crie uma maior expectativa pelo que está por vir.

E então entramos finalmente no clímax, são mais de oito minutos da sequencia do duelo, pode parecer cansativo quando se leva em conta que serão apenas dois homens se encarando por tanto tempo, mas após ver o resultado final, é triste que não tenha dezesseis minutos. Entramos na sequência em um plano aberto, mostrando Frank andando pelo cenário enquanto a música está baixa e tensa, Gaita surge em primeiro plano no momento exato em que se ouve a primeira nota que aumenta o tom da trilha. Os personagens se movimentam pelo cenário, tudo perfeitamente sincronizado com a orquestra de Ennio, “reconhecendo o terreno” e se preparando para o duelo: tiram casacos, escolhem o local que ficarão, tudo com uma calma e austeridade incríveis, o futuro não pertence a eles.

Finalmente Frank fica estático, ele está pronto, a música começa a morrer. Gaita sorri, anda até ficar frente a frente com o vilão, e para, no momento em que a música sessa. E então o silêncio. O silêncio! Nada poderia gerar mais tensão e expectativa do que a total falta de som. O protagonista puxa sua jaqueta para trás, mostrando o coldre que contem o revolver. Um close no bandido, inexpressivo. Tudo o que eles tem, é o presente. Corta para um plano fechado do rosto do personagem principal, e então a câmera fecha mais ainda em seu rosto. Como se estivéssemos entrando na mente dele.

Nesse momento entra o flashback, junto a ele o ardido som de uma gaita, vamos Frank jovem, segurando o instrumento musical. O filme volta para o presente por alguns instantes, para mostrar um enquadramento apenas dos olhos do protagonista. Voltando ao passado, temos a única fala de toda a sequencia: o vilão diz: “Mantenha seu irmão feliz” e enfia o utensilio de sopro na boca na boca do protagonista que ainda é uma criança, no instante antes de “matar” seu irmão, cena que se desenrola em câmera lenta, e no auge da trilha sonora. Em um baque voltamos para o presente no instante exato em que os personagens sacam as armas, e o bandido é baleado.

O vilão está morrendo, mas você não sente felicidade pelo protagosnista, este é o fim do clímax do filme, mas também a o fim da vida história da vida de Gaita, ele buscou desde criança por aquele momento, e agora que ele se passou, o que resta dele?

Era uma Vez no Oeste, é o carro chefe desse trabalho, a película que eu mais me baseei na elaboração da animação. Sem duvidas um dos meus filmes preferidos, e que me levou a apoiar meu PCC sobre o faroeste espaguete.

domingo, 30 de outubro de 2011

Os primódios do faroeste

“O western é um folclore americano: uma mitologia que depende mais da fantasia do que da história”

- A. C. Gomes de Mattos

Incrível é a capacidade humana de distorcer. Distorcemos tudo, qualquer tipo de coisa, não importando o que, mesmo que a vitima da distorção já tenha sido distorcida anteriormente: a distorção da distorção. Exemplificando, para tornar entendível esse confuso paragrafo: o artista inglês Banksy, que fazia arte vândala nas ruas de Londres, através de pichações, e outras intervenções pouco aceitas socialmente, mas que hoje em dia porem, tem essas mesmas manifestações declaradas patrimônios. Exemplos históricos então: alta idade média/baixa idade média, revolução russa, o cangaço. É possível escrever artigos inteiros apenas com as distorções feitas pelo homem, a partir de uma idéia inicial.

Tento essas considerações feitas, é possível afirmar que os filmes de western clássicos, conhecidos no Brasil como faroestes (aportuguesamento do termo far West, oeste distante) não passam de uma alegoria distorcida da verdadeira conquista do oeste (período histórico dos Estado Unidos, que é retratado nesses filmes). E indo mais a fundo, podemos dizer que o western spaghetti, termo que tomo a liberdade de aportuguesar para faroeste espaguete são a distorção desses filmes clássicos de cowboy.

Infelizmente meu trabalho não se foca nos westerns como um todo (que sozinho já seria o suficiente para a elaboração de um projeto inteiro), apenas em um subgênero especifico, sendo assim terei que suprimir décadas interessantíssimas da história do cinema, para expor aqui apenas as informações necessárias para o entendimento do estilo cinematográfico em questão.

Os faroestes tem sua raiz, antes mesmo da invenção do cinema, na época contemporânea ao período histórico que representam (meados do século XIX), com os romances escritos por escritores nômades, que iam de cidade em cidade ouvindo as histórias sobre pistoleiros valentes. Literatura vendida na época por 10 centavos de dólar.

Eu achei realmente interessante, quando no livro “Publica-se a lenda: A história do western.” de A. C. Gomes de Mattos a seguinte frase: “a obra (literária) The Virginian (escrito por Owen Wister) contribuiu mais do que qualquer outra, para a construção do cowboy como figura central do western”, até ler essa passagem, eu nunca tinha concebido um faroeste, sem um caubói protagonista, como se o gênero não pudesse existir sem esse herói no centro da trama, quando na verdade esse era apenas o representante de um classe dentro daquele contexto social.

Já a encenação, propriamente dita começou no final do século XIX, com um grupo teatral chamado de Buffalo Bill’s Wild West Show, que encenavam histórias de cowboy, com cowboys e índios de verdade, já que na época esse chamado “wild west” que dá até nome ao espetáculo ainda existia, porem em situação moribunda.

O primeiro filme considerado do gênero western foi O Grande Roubo do Trem – The Great Train Robbery de 1903 dirigido por Edwin S. Porter, com apenas 11 minutos, o que era a média das produções da época. A película causou um grande furor quando lançada, pois possuía uma cena de extremo mal gosto, para os padrões do inicio do século XX, onde no final do filme, o bandido apontava a arma para a câmera, ou seja, contra a plateia e disparava.

Pouco se pode falar do gênero na década de 1910, que ainda estava se construindo. Mas é dela que se herda todas as formulas e definições do estilo, que são, resumindo-se em apenas uma frase: o conflito entre a civilização e a selvageria. E nesses conflitos encontramos apenas três classes de personagens: a população da vila, cidade ou fazenda, os vilões: índios ou foras da lei e o herói: caubói.

Na década de 20, passamos para a iconificação dos elementos constituintes dos faroestes, eles deixam de ser simples coisas, para representaram algo maior. As pequenas cidadelas, embriões de civilização alegorizam as realizações humanas, superando qualquer obstáculo e trazendo uma esperança para o futuro. O cavalo passa a ser símbolo da mobilidade, da conquista de novos lugares, pois é ele que carrega os colonizadores em suas costas, o companheiro fiel. E é claro, as armas, o mais terrível dos maus nas mãos do vilão, mas também a ferramenta vingadora e justiceira, trazendo a ordem (pelo menos no discurso) para os lugares selvagens.

Isso tudo pode parecer uma visão romantizada e poética de simples filmes de caubói, e realmente são, mas não por isso te tornam mentirosas, é preciso lembrar que a depressão econômica estadunidense que começou com a quebra da bolsa em 1929 e teve consequências em toda a década de 30, fez com que a população da época buscasse um escapismo. O cinema era onde se ia para se fugir da dura realidade, esquecer por algumas horas dos problemas que assolam. E a figura do caubói, limpo, em trajes brancos, heroico, levando a justiça e triunfando nas situações menos favoráveis, que não possuía fraquezas, nem medos, era tudo o que se buscava.

Os anos 40 vieram, e foram considerados a era de ouro para esse tipo de filmes. Ainda preservavam em muito a idealização dos personagens, mas a influencia da segunda guerra mundial trouxe um amadurecimento para o gênero, e certas pitadas de preocupação social em suas tramas.

Já nos anos 50, foi o período dos chamados superwesterns, uma simples evolução do gênero, onde era deixado de lado o espirito otimista que a grande maioria das produções tinham até aqui para dar origem a histórias mais melancólicas, e situadas no final da conquista do oeste. Por esse motivo são conhecidos também com faroestes crepusculares. Isso provavelmente era reflexo da faze em que o estilo estava passando, o inicio do fim, o começo da falta de popularidade, refletido nas telas.

E finalmente chegamos a década de 1960, e a invasão italiana.

domingo, 25 de setembro de 2011

Muita divagação, e um pouquinho sobre os cenários.


Olá, venho aqui fazer mais uma postagem. Já a muitos dias deixo isso tudo as traças, e não é bom deixar blogs parados. Desanima os leitores a voltarem.

Tive três opiniões a respeito do meu blog, achei-as pertinentes, e transcrevo-as aqui: A primeira delas é a de Diego Coutinho, que me disse que eu tenho uma maneira muito arrogante de escrever. Eufemismos não lhe faltaram, de modo que quase tive que implorar pela critica, e a própria palavra não saiu de sua boca, é apenas o resumo de uma série de exemplos que ele usou como explicação. Obrigado Coutinho, criticas construtivas são muito bem vindas, e peço desculpas a qualquer um que tenha achado o mesmo, tive por mim que estava sendo didático, não percebi que estava é por ser petulante.

As outras duas opiniões, escrevo-as depois. Agora eu quero falar da minha forma de escrever. Perceberam como estou mais, digamos... (como posso falar sem parecer arrogante?) ... escrevendo de modo mais literário? É que estou a ouvir Audio-livros agora enquanto trabalho, tarefa que desempenho com uma surpreendente atenção, já que o serviço mecânico da rotoscopia, não briga com este pela exclusividade dos meus pensamentos, contentando-se apenas com a exclusividade das minhas mãos.

O grande problema é que apenas se acha, salvo de raras exceções, o áudio dos grandes clássicos. Não que seja ruim ouvi-los, mas eu também gostaria de ouvir algo deste século, ou quem sabe até mesmo do século passado quem sabe? Só para variar.

Enfim, Eça de Queiroz continua para mim intragável, estou tentando ouvir “Os Maias”, porem o livro todo é muito sério, e as descrições são intermináveis. Já ouvi porém, 7 horas deste, e pretendo completar as 21 horas d’Os Maias. Porém dei uma parada para poder ouvir um pouco de Machado de Assis. Ah, esse sim, é um deleite! É delicioso relembrar Dom Casmurro, toda a ironia do livro é brilhante! A mais fina discreta e refinada ironia! E a ironia for sinal de fraqueza de caráter, que me desculpem, mas espero ter o caráter mais fraco do mundo!

Ah Bentinho! Por que você é tão submisso? Você é um fraco, tem medo de tudo... não... tem medo de todos... e de tudo! E como é possível uma personagem ser tão bem construída e interessante como Capitu? E as cenas que os dois partilham? Tão realisticamente fantásticas! O senhor Machado deve ser mesmo o melhor escritor que a língua portuguesa já teve (na minha humilde e não arrogante opnião).

“Quando alguém é causa do poder de outrem, arruinasse pois aquele poder vem de astucia ou força, e qualquer destas é suspeita a um novo poderoso”

- Nicolau Maquiavel, O Príncipe.

Sobre essa frase caro leitor, não tenho motivos que caibam para expressa-la junto a este texto, pois esta não se relaciona em nem um mínimo com o assunto aqui tratado. Porem, desta tomei conhecimento a pouco, durante a “leitura” da obra, e gostei em tamanha demasia da mesma, e achei que seus sentidos se aprofundam muito além dos meros mandamentos que seguem os governantes. Então, por acha-la pertinente para a vida, e pelo grande fulgor que me tomou quanto a necessidade de compartilha-la, transcrevo-a neste poste.

Estes dias estive em Rio Claro, minha cidade natal, na casa dos meus pais. E sobre isso eu tenho a dizer duas coisas: 1- Minha mãe NÃO acompanha este blog. “-Mãe, qual o ultimo poste que você leu?”, “Ah, aquela lá que você falava aquelas coisas...”, “Aquelas coisas....aquelas... não estou lembrado....é o da música?”, “Música? Achei que você tava fazendo um vídeo”, “Mãe, você lembra o nome do poste?”, “Acho que era: primeira postagem ou alguma coisa assim”. O que significa Seu Aridoval, caro mendigo ao qual dei um notebook com G3 para que pudesse acompanhar meu blog, que agora somos só nós dois.

A segunda coisa, é que aproveitei a adorável cidade para poder tirar fotos que servirão como cenários para a minha animação. Para quem não sabe... quem eu estou querendo enganar? ... Seu Aridoval, acho que o senhor não sabe que Rio Claro é uma cidade histórica, cheia de construções antigas.


Acima temos um belo exemplo das arquiteturas que podemos encontrar em Rio Claro. Em uma foto, em PB para não mostrar o quão sujo está o edificio, e com certeza muito criativa onde o artista (NÃO FUI EU!!!!! TAVA NO WIKIPÉDIA!!!!) deu um efeito criativo e poucas vezes utilizados de envelhecimento da imagem. Um pouco a frente um sutil desfoque no Ford Fiesta, demorei horas para saber o que era, achei que era uma carroça ou até mesmo uma tribo de índios que viviam por aqui antigamente. Esses “dentinhos” em cima e embaixo da foto também me levam a crer que esse negativo tenha 2,5m de largura. Enfim é um lindo prédio. Ai você, senhor Aridoval, me pergunta, é a prefeitura? Centro de cultura? Casa do Rei? Não... é só uma escola técnica. Casarões desse tipo tem aos montes por aqui.

Mas, o mais importante para os cenário é mesmo a floresta estadual Navarro de Andrade. Antigo Horto que foi elevado de categoria. Passei algumas horas a fotografa-lo, e vou usar suas majestosas formas e espécies para dar um sabor especial a minha animação.

É muito comum que em animações o cenário tenha um refinamento especial, muito maior que os personagens, mas não na minha! Hehehe. Não, eu estou até me utilizando do impressionismo para poder dar um toque de “rabisco” (com todo o respeito aos artistas e admiradores desse estilo) e uma imprecisão de formas. Com isso, eu quero que os personagens se misturem com o cenário, que pareçam fazer parte do mesmo, e que não tenham a atenção desviada por coisas em segundo plano.

Um exemplo de cenário.
(Fala a verdade, você ficou até com dó agora, hauhau)

E como nas cenas de flashback eles (os cenários) serão extremamente exóticos e coloridos, ou pelo menos é isso que eu estou tentando fazer, eles não vão ficar pulsando, como os personagens, serão quadros estáticos. Justamente para não roubarem a atenção, como disse a pouco.

Existem ainda 3 tipos diferentes de cenários: Noite, Dia e Flashbacks. Os de noite são feitos em negativo, riscados de branco, e não possuirão cor. Os de dia possuirão contorno também, porém em preto, e preenchido com cores onde se predomina o cinza e o marrom, tristes e pouco chamativas. E por fim os flashbacks, onde os contornos não existe, é tudo lindo e colorido.


Foto tirada para usar como cenário.


E o respectivo cenário, que tem a foto como base.

Ah, não tenho muito a falar a esse respeito, então encerro, mas não sem antes agradecer a outras duas opiniões.

A segunda é da Simone Domingos, que me disse: “Eu vi seu blog, tá muito legal!”. Parecem esse dizeres simples, mas foram ditos com tal animação que chegaram, não só a me enrubrecer, mas também a me comover. Muito obrigado!

E o terceiro é da Bia Vallego. Que disse que tinha gostado tanto do blog que foi atrás de uns filmes cults, para assistir e comentar comigo. Poxa, por essa eu não esperava! Muito obrigado mesmo!

E agradecer mais uma vez ao Coutinho, pela critica construtiva, que eu realmente apreciei! (sem sarcasmo, ou ironia, ou qualquer outra coisa similar).

Dica do dia (com o perdão da pretensão =]): Leiam qualquer coisa do Machado!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

As Filmagens

Álvaro: “Posso perguntar uma coisa?”

Eu: “Manda”

Álvaro: “Você podia ter feito uma animação sobre qualquer coisa, e você escolheu justamente a que você precisava filmar um cara pelado?”

Eu: “Dispenso qualquer analise freudiana a respeito disso!”

-Dialogo ocorrido no dia da filmagem, enquanto Marcelo ficava semi-nu para as filmagens do Curupira andando pela mata.

As filmagens começaram a muito tempo, e duram até hoje. Mas para falar a verdade, o grosso mesmo da coisa foi feita em apenas 1 dia. Dia em que filmei todas as cenas do Curupira, interpretado pelo Marcelo Coelho e todas as cenas do Lobisomem humano, feito por Álvaro Pontes. Minto! Na verdade antes disso eu já tinha filmado uma cena de cada um dos personagens. Por quê? Simples, eu estava em um outro ritmo de trabalho, conciliando os meu afazeres da faculdade com a confecção do TCC. Mas com o decorrer do primeiro semestre achei melhor filmar “tudo” logo de uma vez, ou pelo menos o mais importante, afinal era um saco a situação: “Qual cena eu vou começar a fazer agora? A cena X. A então eu preciso marcar com o Y de ir filmar.” Era preciso uma otimização do tempo na produção!

Combinamos de gravar em um sábado, na república do Álvaro. O Marcelo chegou algumas horas atrasado... “Santa pinóia, Leonardo Thadeu! O rapazote lhe fazendo um favor, e você ainda dando uma de X-9 pra cima dele? Que feio! Se eu estivesse ai, arrancava suas sobrancelhas, só para você aprender!”. Poxa pessoa de linguajar (e hábitos) estranhos que fala comigo durante os tópicos, você tem toda a razão. O Marcelo estava fazendo apenas um favor para mim, ele poderia chegar o horário que quisesse, ou nem ir, se assim desejasse. Nessas horas eu gostaria que meu computador tivesse uma tecla que apagasse aquilo que eu já escrevi... Continuando: como o horário marcado era no período da tarde, fiquei apreensivo com a demora para o inicio das filmagens ficarem muito granuladas, a medida que a luz do dia fosse indo embora, mas depois lembrei: as filmagens eram para uma rotoscopia! Eu ia desenhar por cima, não importa a granulação!

Algo de interessante que aconteceu durante a filmagem, foi poder perceber o meu estilo como diretor. Chique isso né? ESTILO DE DIRETOR! Enfim, apesar da tendência poder ser vista já com a leitura do roteiro, só se tornou evidente para mim nas filmagens: a minha cinematografia reflete bem a minha personalidade. É onde o simples e o complexo se misturam, o hiperbólico toma força e os opostos se completam.

O que eu quero dizer com tudo isso:

Eu percebo que tenho um estilo de falta de estilo. Ou o que pode ser considerado uma falta de estilo para alguns. Prezo pelos planos longos, com o mínimo de cortes, câmeras fixas, e transições secas, cortes simples em maioria, com apenas um fade ou outro quando julgo extremamente necessário.

“Então Prioli, o senhorito é um péssimo diretor. Qualquer um dirige desse jeito.” É, pode ser. Quem sabe? Mas em uma época em que quase medimos o talento dos novos diretores em uma relação inversamente proporcional a quantidade de tripés que por eles é usado, me orgulho de possuir esse estilo de câmeras fixas.

Mas sinceramente, deixar uma câmera fixa é algo que condiz muito comigo. Pois atribui um minimalismo estilístico que eu muito aprecio. É sabido pelas pessoas que me conhecem, que eu gosto, em um exemplo mais abrangente do que as produções audiovisuais, que eu gosto de coisas monocromáticas, ou bicromáticas que seja. Conclusão, existem aspectos do minimalismo que eu prezo muito.

“Então, pra você, menos é mais?” Não! Com certeza não! Eu gosto da mistura do muito com o pouco. Os excessos vindo de mãos dadas com os modestos. “Ahn, como assim?” Exemplo idiota: o carro do Batman, no filme do Christopher Nolan. Inteiramente preto, porem com milhões de pedacinhos, e articulações que servem pra porra nenhuma, além de fazer o carro ser muito dahora! Outro exemplo: Uma vez eu vi uma katana, espada japonesa, ela era basicamente um pedaço de madeira negra inteiriço, sem nenhum entalhe, ou qualquer coisa que mudasse sua forma. Porem pintada por toda a extensão de seu corpo, tinha gravuras em vermelho de plantas, uma textura que deixava a peça simplesmente maravilhosa. Aonde eu quero chegar: eu tenho um gosto pelos contrastes, eu amo câmeras subjetivas, mas acho elas ainda melhores quando são usadas poucas vezes, e bem utilizadas. Afinal quando a câmera já se meche o tempo todo, a força e o impacto que causa ao andar por ai parece ser menor, do que a câmera fixa que se desloca (lembram-se das aulas de atrito estático e atrito dinâmico em física crianças?).

(Abro aqui um parênteses para explicar que câmeras subjetivas são na verdade câmeras que mostram visões subjetivas das coisa [bãh!]. Como por exemplo as câmeras em primeira pessoa, que mostram a visão do personagem. O termo porem foi banalizado, e hoje em dia é usado para se referir a qualquer tipo de filmagem que não utiliza um tripé, e é esse o sentido que eu também utilizo)

Ponto fora da curva:

Na verdade nem é tão fora assim, é mais uma cena onde se pode analisar o meu estilo de direção. Aqui temos o exemplo de um cena a câmera fixa atrapalhou. Primeiro o personagem tem uma fala, onde é enquadrado a face esquerda do personagem na parte esquerda da tela. A seguir um corte para a face direita enquadrada na parte direita da tela, e mais uma fala. Um terceiro corte para um enquadramento nos olhos de curupira, então ele pisca, fundindo para o flashback.

Primeiro enquadramento.

Segundo enquadramento.


Nela temos a câmera fixa em todos os momentos pré-flashback, porém nesse caso especifico, a movimentação do personagem é muito pequena, pois ele está com raiva, e eu não sei se vocês já perceberam, mas pessoas com raiva costumam se mexer menos: andam sem balançar os braços, falam com você com uma tentativa de olha penetrante que exclui qualquer jogo de cabeça.

Ou seja, a câmera está fixa, assim como o rosto. Uma cena que era para ser um tempero na animação, devido ao enquadramento e transição para o flashback, acaba por se tornar uma das piores cenas até agora. Por que? Um simples problema de matemática, usando um paralelo com a fotografia como exemplo, temos 3 fatores que variam o ISO (que determina a qualidade da foto), a abertura e o tempo. Três variáveis atrapalham, pois é muita coisa para se pensar, então eu sempre coloco o ISSO o mais baixo possível, para ter a melhor qualidade de foto, e fico com as outras duas variáveis, assim posso controlar a profundidade de campo. Porém uma foto durante a noite, se eu deixar o ISO fixo, e o mais baixo possível, minhas fotos ficarão escuras ou tremidas (caso eu não tenha um tripé) ou ainda precisarei usar flash. Para solucionar esse problema, eu costumo mudar a constante, deixo a velocidade do obturador em 50, assim minhas fotos não sairão tremidas, e ajusto a abertura e ISO de modo a deixar a foto com a maior qualidade possível.

Terceiro corte: close nos olhos.


Fusão para o flashback quando ele pisca, tudo fica colorido.


Nessa cena ocorreu exatamente a mesma coisa, eu costumo deixar a câmera fixa, pelos motivos já explicados, porem quando a movimentação do personagem também é fixa, fica estranho. Em comparação com as outras cenas, ela perde a vida, fica mecânica e fria, o que é péssimo para o momento em questão, em que se deve mostrar toda a braveza do personagem, então nesse caso, uma câmera subjetiva teria sido muito bem vinda. Vou tentar consertar isso posteriormente no After Effects. Agora me respondam, o que é pior, uma câmera subjetiva mal utilizada ou um efeito que imita uma câmera subjetiva? Hehehe.

Continuando o estudo de caso da cena em questão. Os cortes. “É verdade, você falou que só colocava cortes quando era necessário. Ai eles não são necessários.” Porra se são! Estou voltando nesse assunto, pois acho que não dei a devida ênfase para ele anteriormente.

Se formos extremamente rigorosos na verdade, nenhum filme precisa de cortes no meio das cenas, eles só são necessários mesmo quando existe uma mudança de local ou de tempo. Mas você consegue imaginar que filmes insípidos que seriam esses? Sem closes, sem ênfase em nada, sem câmeras passeando pelo ambiente, pois também não é necessário. É esse um dos motivos que as pessoas sentem dificuldade de assistir filmes antigos, eles faziam pouco uso desses recursos, pois a linguagem ainda não estava muito bem explorada (os outros são a falta de cor e de som). E é por isso que sou contra as correntes de pensamento funcionalistas. Função antes da forma? As coisas não precisam ser bonitas, apenas ser funcionais? Fazer coisas funcionais é fácil.

Cadeira:

-1 encosto

-1 assento

-1 estrutura de suporte (normalmente 4 pernas)

-2 apoios para os braços (opcional)

Tempere com um pouco de ergonomia. Sirva frio.


Viu como é fácil? Função é importante, mas é uma etapa fácil de se superar. Agora, tudo aquilo que dá tempero a vida, nessas coisas sim eu sinto o prazer de mergulhar, até me afogar.

Corta!

E uma das coisas que servem para dar o tempero de uma produção audiovisual, é o corte, as transições interessantes.

Nesse caso, achei que os cortes seriam importantes para criar o clima desejado. A cena fica mais dinâmica, o que é interessante, pois sintoniza com os sentimentos do personagem nesse momento. Também tira a mundaniedade dela, a destacando das demais, já mostra que a cena é mais importante que as demais, pois teve um cuidado mais especial com a sua estruturação (para quem ficou curioso do por que essa cena ser mais importante, é por que ela antecede o flashback que dá os motivos da história).

Toda essa minha caretice, em relação as câmeras subjetivas desaparecem por completo nos meus enquadramentos. Eu adoro enquadramentos “estranhos”, tirar o personagem do centro da tela, enquadrar só metade da sua cara, cortar o topo de sua cabeça (assassino!). É uma característica que eu percebi em mim, já nas aulas de foto. E um dos motivos que me levaram a escolher o cyberpunk japonês como influencia, é que ele segue completamente essa lógica. Vomitando sobre você uma série de enquadramentos inusitados. É impossível negar que essa cena sobre a qual estou discursando, é uma influencia completa desse estilo cinematográfico.

E por fim, os closes. Adoro closes, e acho que já deu para perceber. Acho que isso faz parte daquele pseudo-minimalismo que possuo, você foca em um elemento especifico, o deixa gigantesco na tela, e faz as pessoas prestarem atenção apenas naquele ponto.

Vou concluir o poste de hoje, com uma critica a mim mesmo, em vários momentos eu tentei fugir dos clichês, mas percebi que teve um deles que eu deixei passar. Eu usei a estrutura: plano aberto/close no assunto, mais vezes do que o bom gosto permite. É uma tática fácil e covarde de estruturação de narrativa, vou tentar tirar o máximo que der delas.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A música

Olá caros leitores, é com grande prazer que hoje, segundos as estatísticas passadas pelo blogspot, eu dobrei meu número de leitores! Agora, além da minha mãe, sempre citada por aqui, tenho o Aridoval, o mendigo... poxa, desculpa Seu Aridoval, você não gosta desse termo né?... o morador de rua aqui da esquina de casa. O qual eu prometi dar um notebook e um 3g caso lesse o meu blog.

Então olá Seu Aridoval! Seja bem vindo ao meu blog! O tema o poste (eu aportugueso algumas coisas, não estranhe) de hoje é sobre música.


“Quão pouca coisa é necessária para a felicidade, o som de uma sanfona.

- Sem música a vida seria um erro.”

- Friedrich Nietzsche


Frase estranha né? Eu achava que Nietzsche achava a vida um erro invariavelmente (E esse foi mais um momento: “Olha mãe, eu leio filosofia!”). E eu também não sabia que ele curtia sertanejo.

Ok, chega de piadinhas que isso tá ficando maçante, e o Seu Aridoval sempre me diz: ”Piada é bão, mais piada di mais num é bão não, estraga”.

Semana passada fui na casa do Álvaro Pontes, um colega de turma, grande amigo, e também o lobisomem da minha animação. Pedi humildemente (como se atuar já não tivesse sido o suficiente) para que ele fizesse a trilha sonora da minha animação. Na verdade a gente já tinha conversado sobre isso previamente, eu fui lá apenas para explicar direitinho o que eu queria, e passar umas referências para ele, mas é claro, ele tem total liberdade de fazer o que ele quiser, e também nada do que eu tenha falado, afinal quem entende de música é ele e não eu.

Sergio Leone dizia que 60% do filme, é a música. Eu espero sinceramente que não, por que em caso afirmativo, esse TCC seria do Álvaro e não meu. Mas apesar de hiperbólica essa frase tem muita razão no sentido de considerar a música um dos elementos chaves do produto áudio visual; A música (pô, terceira vez no mesmo parágrafo, desculpa hein seu Aridoval) é, na minha opinião, a forma de arte que consegue emocionar de maneira fácil as pessoas (eu estou mentindo, eu acho que o cinema consegue mais fácil ainda, porém estou deixando ele fora dessa análise, por ele ser um aglomerado várias “coisas” inclusive música [4]), em contra partida é a que precisa de mais estudo e refinamento antes de se criar (vide o refinadíssimo estilo punk). Bastam (como se fosse fácil) 3 ou 4 subidas repentinas de tom, e pronto, você já emocionou muita gente.

Voltando a falar do Sergio Leone: ele é o diretor do meu Faroeste Espaguete preferido: Era uma Vez no Oeste, que é na minha opinião também, a melhor trilha sonora da história do cinema. Foi composta de gênio (no sentido mais genial da palavra) Ennio Morricone. Existem apenas 4 músicas no filme todo, que são os temas de cada um dos 4 personagens principais.

“Mas que sagaz esse Ennio não? Fazer as músicas baseadas nos personagens! Garoto peralta!” Na verdade as coisas foram feitas no sentido inverso, Leone esperou a música ficar pronta, para construir o filme sobre ela.

Essa característica já vinha, em proporções menores, nas suas produções anteriores, o duelo no fim de “O bom, o mal e o feio” também foi pensado com a música já pronta.

Então fica a dica Seu Aridoval, ouça a trilha de Era uma Vez no Oeste, e veja o filme também caso não o tenha visto ainda. Aquele som comprido de gaita no começo dá música do “Homem da Gaita” (The man with harmônica – personagem do Charles Bronson) arrepia até a minha alma!

Uma curiosidade: Jorge Lucas, enquanto fazia o primeiro Star Wars (o antigão), ouvia a trilha de “Era uma Vez no Oeste”, não é atoa que a marcha imperial do Darth Vader tenha em alguns pontos, as mesmas notas do tema do Cheyenne do faroeste. Com a diferença que a primeira é orquestrada e a segunda com banjo. =]

Por isso que, levando como referencia as obras de Leone, eu quero também esperar a música ficar pronta, para ai sim estruturar definitivamente o clímax da minha animação.

Vale lembrar também que no caso da minha animação, não será uma música de western, mas um híbrido de faroeste com cyberpunk, que é outra das 3 referencias maiores que eu estou utilizando.

O cyberpunk japonês tem uma construção sonora muito interessante, utiliza o som de máquinas, que seria um som ambiente, para formar a trilha. Acaba ficando um som poderoso e repetitivo, mecânico, que junto com o bombardeio frenético de imagens cria o clima de terror tecnológico e confusão mental que esse tipo de produção preza. Mas depois eu faço um poste sobre isso.

Então, a trilha que o Álvaro fará misturara as músicas épicas dos faroestes com os sons mecânicos dos cyberpunks. Estranho eu sei, mas na minha cabeça ficou ótimo. Boa sorte Álvaro!

Mais umas coisas sobre música:

Enquanto eu rotoscopo, eu ouço música, mas para não ficar perdendo tempo trocando o aúdio, eu escolho uma banda, e vou ouvindo seus CDs na sequência. Já ouvi a discografia do Led Zeppelin, do Pink Floyd, do Legião Urbana. A próxima será Iron Maiden provavelmente.

Como prometido, ai está mais uma cena da animação, é o Curupira andando.

Tchau mãe! Tchau Aridoval! Obrigado por acompanharem o blogue!


sábado, 27 de agosto de 2011

Perfil de Personagem: Lobisomem

Então eu precisava caracterizar o meu lobisomem para a animação. Achei que o melhor a fazer era colocar a minha visão sobre ele, que eu sempre tive, e depois temperar com todo o estudo que fiz (e que postei aqui anteriormente).

Eu sempre adorei essa criatura, acho que eu me identifico com ela. O lobisomem me parece uma metáfora de mim mesmo; Não, não só de mim, do ser humano no geral. A eterna luta do homem para controlar seus impulsos imorais e violentos, ou seja, a forma hibrida é o equivalente do arquétipo da sombra para a psicologia. As transformações durante a noite, equivalentes ao medo do escuro, do desconhecido. É um mito simplesmente maravilhoso. A beleza do grotesco!

Mas não apenas por eu ser grotesco por excelência eu gosto do lobisomem. Ele também sempre foi para mim um sinónimo da força, da bestialidade e da fúria. Um ente impossível de ser contido e capaz de petrificar (de medo) qualquer um apenas com um rosnado possante.

A última característica marcante é a rusticidade, mesmo que na forma humana. Como os mitos sempre se passam no campo, é fácil pensar no lobisomem como um homem simples e rural.

Resumindo, se me pedissem para descrever um lobisomem eu falaria: um caipira (com o perdão da palavra), que mesmo na forma humana se assemelha a um ser mais primitivo, Neandertal: alto, forte, peludo e apresentando feições que pareçam ter sido esculpidas a faca. De pouquíssimas palavras, misterioso e nunca sorri. Interessante, eu nunca tinha percebido que na minha concepção, ele é meio animal mesmo quando homem; Na forma híbrida é um monstro com mais de 2,5 metros, extremamente forte e extremamente ágil, possui sentidos aguçados e uma inteligência muito superior a de qualquer animal.

Até aqui tudo certo. Todos esses aspectos foram incorporados ao personagem sem problemas, já o fator do tom de sua pele me tomou alguns minutos. O meu lobisomem é um homem nordestino estereotipado, ou seja, possui a pele parda. Caro leitor, qualquer preconceito que você tenha visto na frase anterior, é coisa completamente da sua cabecinha.

Porém a própria visão nordestina do lobisomem, é que ele é não só branco, como anêmico. Existe uma história interessante, de um velho chamado Simão Gondim, que vivia no Rio grande do Norte, e era muito temido apenas por possuir pele alva e ter olhos azuis. Certo dia, quando esse teve tuberculose e tossia sangue, disseram que ele estava cuspindo o excesso de sangue de suas caçadas noturnas; Simão acabou por morrer de fartura, alimentou-se tanto que certo dia teve uma crise, e passou dessa para uma melhor enquanto expelia seus excessos (essa história está no “Geografia dos Mitos Brasileiros” de Luís Câmara Cascudo, porém em versão não menos resumida).

Enfim, voltando ao tópico depois da breve divagação, achei melhor que meu lobisomem fosse branco. Afinal, ele tem raízes europeias e o quase consenso no Brasil quanto sua arianidade;

Pode parecer besteira se preocupar com esse tipo de coisa, e talvez até seja mesmo, será ninguém além de mim se preocuparia com isso? Não sei dizer, mas um ponto crucial do meu trabalho, com essa personagem e também com a do saci e da mula, é que essas três personagens são espécies de criaturas, ao contrario do curupira que é um ser único. E por esse motivo eu queria evitar ao máximo abrir espaços para comentários do tipo: “Nossa, eu sempre pensei no lobisomem diferente disso”.

Acho que não ficou claro, então vou explicar de outra forma para compensar minha inabilidade como dissertador; O lobisomem da minha animação é O lobisomem, e não UM lobisomem. Ele é feito para representar toda a classe de criaturas, uma personificação do mito, e não apenas um homem qualquer que tem licantropia.

Certo, temos ai um personagem... mas não parece que falta alguma coisa? Alguma característica para dar um tempero a mais, o personagem ainda está muito comum, é preciso de uma alma!

Hehehe, a última característica adicionada veio espontaneamente, eu vi tantas características similares entre o lobisomem e o western, que foi impossível não fazer um referenciar o outro e transformar meu metamorfo em um caubói. Aliás, transformar é uma péssima palavra, pois o perfil que eu mostrei anteriormente serve para qualquer personagem de faroeste, principalmente os do tipo espaguete (deixo explicações para outro tópico) sem que qualquer coisa fosse mudada.

É tão verdade o paragrafo anterior, que apesar de parecer que eu pensei previamente nisso tudo, na verdade eu me dei conta disso, e bem tardiamente, já nas filmagens, quando eu arrumei uma jaqueta e um chapéu para o personagem. “Álvaro, pensa no que o Clint Eastwood faria.” (Álvaro é o interprete do lobisomem), puis um cigarro em sua boca, cortei falas, mandei toda a movimentação de cena ser contemplativa a ponto de o mais pequeno movimento parecer algo precioso, não importa o tempo que leve, o que importa é a apreciação do ato de se riscar um fósfora. E as rugas! As abundantes e preciosas rugas! Elas deixam tudo mais bonito, sem brincadeira. Stephen King, em algumas notas na introdução de sua série de livros “A Torre Negra” diz sobre o filme “O bom, o mal e o feio” (também conhecido com “Três homens em conflito”):

“Numa tela de cinema, projetado com as lentes Panavision certas, Três Homens em Conflito é um épico que rivaliza com Ben-Hur. Clint Eastwood parece ter uns cinco metros de altura, com cada espeto de barba brotando no rosto mais ou menos do tamanho de uma pequena sequoia. Os sulcos rodeando a boca de Lee Van Cleef são fundos como desfiladeiros e quem sabe não há um filete d'água no fundo de cada um.”

As rugas são preciosas! Elas são a melhor caracterização que esse tipo de personagem pode ter, mostram em apenas um enquadramento simples, o que um milhão de palavras falhariam e dizer e uma centenas de ações mostrariam com muito custo. Sem contar que essas mesmas rugas levam o pistoleiro sem nome (personagem de Clint Eastwood no filme) ao cúmulo do feio-bonito, uma beleza máscula, selvagem, rústica e praticamente perdida com a onda de homens andrógenos que temos hoje. Ele é um verdadeiro homem! “Pô Léo, você é o maior viadão, fica falando ai do cara. Ha ha ha. Sua bixinha”. Vai se foder! Tira essa merda de pensamento antiquado da cabeça, eu falar que um homem é bonito não interfere em nada na minha opção sexual porra!

Enfim, meu lobisomem precisa das rugas! Precisa de tudo que está associado com o western, precisa ser tão épico, lindo e precioso quanto os personagens do Sergio Leone! Deu para perceber o quanto eu sou apaixonado por esse tipo de filme né?

Voltando ao racional, eu não sei quais dessa série de características foram adicionadas antes, e quais depois de eu perceber que o lobisomem é o faroeste espaguete, mas eu achei que isso enriqueceu tanto o personagem e a história em si, que acabei fazendo isso com todos os personagens, transformei o curupira no expressionismo alemão e o saci no cyberpunk japonês. O que ainda trouxe mais uma característica que considerei formidável a animação: três estilos tão distintos, colocados juntos fazem os personagens ficarem além de mais profundos, mais diferentes entre si, o que torna a briga do lobisomem e do curupira, assim como os motivos do saci em enganar os dois, ainda mais verossímil. E ao mesmo tempo que os afasta, os aproxima, pois com o passar da história os estilos convergem para um ponto comum e se misturam, e ao meu ver desaparecem no resultado.

Um grande orgulho me invade quando eu penso em tudo isso, eu não poderia esperar algo melhor da minha animação, espero que as pessoas sintam pelo menos uma fração de tudo isso ao assisti-la.

Vou deixar as explicações sobre os outros dois personagens para postagens futuras, pois já me estendo demais. Em breve também coloco mais alguma cena aqui.