sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sobre a rotoscopia

Ontem foi um dia preguiçoso, fiz apenas 103 quadros. E já que eu estou fazendo a animação com 10 quadros por segundo, isso dá 10,3 segundos de animação certo? Infelizmente não.

A técnica de animação que estou usando é a rotoscopia, se você procurar no Wikipédia, ele dirá:"Rotoscopia é uma técnica usada na animação onde usa-se como referência a filmagem de um modelo vivo, aproveita-se então cada frame filmado para desenhar o movimento do que se deseja animar.", e isso é tudo o que ele diz sobre o assunto. E se o oráculo só diz isso, por que eu deveria dizer mais? Isso ai, até a próxima pessoas!

Hmmm... não, vamos continuar.

Escolhi essa técnica por que eu acho ela muito legal, acho muito interessante como tudo fica vibrando mesmo quando teoricamente parados, parece que dá mais vida aos personagens, e também passa uma rusticidade ao projeto que vem muito a calhar com o meu tema, e com o clima em si de minha animação, sem contar que condiz até mesmo com a minha personalidade.

Ilustração de um Rotoscópio.

(Era assim que faziam antigamente)

Mas o ponto mais importante mesmo, e acho que definitivo, para eu escolher essa técnica, é a imprecisão dos traços, é claro que existem muitos casos de rotoscopias muito precisas e que não tem essa vibração (caso de “Branca de Neve”), mas a minha eu fiz questão de deixar, e até intensificar esse defeito/efeito. Explico. Como o tema abordado é folclore, e cada região tem uma visão própria dos mitos, acho mais interessante deixar espaços para interpretações. Não que seria um problema delinear um curupira com essa, essa e essa características, e sem essa essa e essa, mas na minha opnião o projeto ganha mais quando você pensa: “Essa mancha no olho é a sombra” enquanto o amiguinho do seu lado pensa: “Esse curupira tem manchas nos olhos iguais de certos felinos”. “Essas rugas é de braveza ou ele só é velho mesmo?”

“- Homero! Para com isso, você escolheu rotoscopia por que você é um preguiçoso do caralho!”. O pior, é que não. Rotoscopia é a técnica da preguiça burra, ela é mais fácil de se animar, afinal tá tudo lá, não é preciso pensar em conceitos como a antecipação ou a gravidade, “Deixa eu ver, eu me movimento para cima e para baixo enquanto ando”. Realmente mais fácil, porém tem um serviço mecânico descomunal! Desenhar quadro a quadro é um serviço maçante, então recomendo essa técnica só para quem realmente gosta dela, e não por preguiça.

Porém o fato de eu ter escolhido 10 quadros por segundo foi simplesmente o fato de ser a menor quantidade de frames que achei dar uma ilusão de movimento aceitável.

Por fim, por que eu disse que 103 não equivalem a 10 segundos? Na verdade equivalem se forem quadros completos e finalizados. O que eu disse que fiz ontem foram 103 quadros apenas de um dos elementos que compunham a cena. Exemplo:

Na cena acima temos 5 elementos: as nuvens, a lua, as estrelas e o texto. Ou seja, em uma cena de 10 segundos eu precisaria desenhar as nuvens 100 vezes e a lua outras 100, assim como as estrelas.

É claro que no caso dessa cena em expecifico, como os elementos não tem movimentos (apenas as nuvens) é possível desenhar apenas alguns quadros e ficar repetindo-os eternamente (o mesmo é possível com personagens que estão parados). Mas existe um porém, é impossível você enganar os olhos das pessoas que estão assistindo, não tem como repetir os quadros fazendo parecer que você desenhou um a um (salvo as vezes em que você desenhar 30 quadros do objeto estático, e mesmo assim, se a cena se prolongar demais se corre o risco de ser desmascarado). Mas não tem jeito mesmo? Não; Eu sei, eu tentei várias coisas, como por exemplo desenhar 10 quadros, e depois repetir eles em uma ordem aleatória (algo como1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,2,4,6,8,1,3, 10,5,7,9), é possível reconhecer os quadros que são repetidos, principalmente aqueles que você deu aquela erradinha, e o contorno do seu personagem ficou com aquela “ferpa”, e desenhar cuidadosamente não é uma opção, pois como eu disse anteriormente, isso tiraria um pouco dos defeitos/efeitos que eu prezo tanto, ou seja, diminuindo o conceito do trabalho.

Como último adentro, ainda no mesmo assunto, uma estética que eu gostei, e abordei para os personagens estáticos é a repetição heterogênea das partes do mesmo. Ou seja, imaginem por exemplo um personagem em uma cena colorida, enquadrado do busto para cima. Nele eu desenho 7 quadros para o cabelo, 5 para o rosto, 4 para o corpo e 3 para as cores. Isso faz com que o mesmo quadro se repita (com o mesmo cabelo, rosto, corpo e cor) a cada 420 quadros, mesmo assim isso não dá a impressão de serem 420 quadros distintos, mas fica uma estética um pouco mais interessante do que a repetição simples.

Então, se você for fazer uma rotoscopia, ou você abraça a causa e desenha TUDO! Ou repete os quadros sem medo de ser feliz (de preferencia 4 quadros para cima com a mesma imagem, na minha opnião 2 ou 3 quadros só, fica muito frenético).

Fim da postagem de hoje. E que toda a imprecisão dos meus traços se tornem deleite para os seus olhos.

Música do dia: Tempo Perdido – Legião Urbana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário