
Tive a ideia [não é estranho ter que escrever idéia sem acento agora? Malditas novas regras de ortografia.] de fazer essa animação a exatamente um ano, ou seja, no segundo semestre de 2010. “Não seria legal fazer um curta metragem assim, assim, assim?”, mas foi durante uma viagem, enquanto eu tentava dormir em todo o conforto da poltrona do ônibus do Prata, que a ideia ganhou corpo (deu pra ver que eu não dormi, certo?). Cheguei em Rio Claro, minha cidade natal, com uma história praticamente pronta.
Seria ela um curta metragem focado nos personagens do folclore, apenas os 3 mais conhecidos: Curupira, Lobisomem e Saci. E teria uma abordagem mais séria, mais adulta.
O estopim para usar a nossa mitologia em um contexto sério veio do livro: “O Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito” livro de Monteiro Lobato, apesar desse não reconhecer a autoria pois é apenas uma compilação dos contos desse nosso duende negro por várias pessoas. Esses estudos, foram utilizados pelo autor posteriormente para o desenvolvimento do livro infantil: “O Saci” (o primeiro livro do Sitio do Pica-Pau Amarelo), atitude louvável de Monteiro que serviu para reavivar o folclore que andava um tanto quanto esquecido na época.
É interessante pensar como a mesma referencia, ou seja o inquérito, tenha gerado vertentes de pensamento oposta em mim e em Monteiro Lobato (pelo amor de deus! não estou querendo me comparar ao lobato, afinal, ele é magro), enquanto esse celebre escritor praticamente sedimentou a visão que temos atualmente desse negrinho do no folclore (negrinho é um apelido carinhoso, e não um desdém. Em um mundo tão politicamente correto, mesmo que de maneira hipócrita, é bom avisar) e fez com que todos ligassem os mitos ao publico infantil. Eu por contra partida pensei logo em algo mais adulto.
Chegando de volta a Bauru, depois da viagem, escrevi o dito cujo do roteiro, e vi que por fim tinha escrito algo com um conteúdo triste e pesado. Como desde o primeiro momento sabia que seria uma animação, achei isso bom, animação em sua maioria costumam ser puxadas para o humor, a minha seria diferente. Agora eu tinha um folclore adulto e uma animação séria e triste.
Graças a conversas que tive com meus amigos Sato e Lia, acabei por desistir dessa primeira versão do roteiro, eles me mostraram que existiam erros atrozes na construção da narrativa. E eu mesmo não estava 100% satisfeito com ele, estava comum demais para o meu gosto, e prefiro coisas diferentes.
Já no começa desse ano, puis-me a reescrever o roteiro. A segunda versão veio com mudanças grandes, mas mantendo a mesma linha da anterior. Dessa vez eu não situava os possíveis espectadores, deixava o cenário como uma incógnita, para apenas no final, de uma vez só o público perceber tudo o que estava acontecendo. A evolução do roteiro foi tremenda, e fez com que as criticas dessa vez caíssem sobre pequenos detalhes.
A história final é simples, se foca em uma desavença ocorrida entre o Lobisomem e o Curupira, onde descobrimos tudo que culminou no presente momento, um duelo de vida ou morte, através de flashbacks.
E no inicio do primeiro semestre desse ano, comecei a animar...
vc desenhou o sato aí?
ResponderExcluirSim!
ResponderExcluirEle fez figuração nessa cena.