quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mitologias e o mundo

Enquanto escrevia minha postagem anterior, achei que ela estava ficando muito comprida, com medo que isso desensentivasse (ta certa essa palavra? desensentivasse?) a leitura, resolvi dividir em dois. Aqui vai a segunda parte, que ficava +- no miolo do outro poste:
Ao ler “O Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito” de Monteiro Lobato, me veio o seguinte pensamento: “Interessante pensar como essas criaturas do folclore eram tão temidas por adultos, e hoje em dia não passam de histórias para criança.” Inclusive, em alguns dos contos se diz que o saci não faz mal aos “brotos de gente”, tem que ser homem formado, e é possível puxar daí também um paralelo com o curupira, que protege plantas e animais, mas principalmente filhotes e fêmeas prenhas. Mas é claro que essa “infantilização” dos mitos são obras do próprio senhor Lobato com suas famosíssimas histórias infanto-juvenis.

Me aprofundando um pouco mais nos pensamentos, refleti a respeito de como outras culturas encaram suas próprias lendas nos dias atuais. A vertente mais forte com certeza é a mitologia nórdica e medieval, com seus elfos e trolls. Devido ao J.R.R. Tolkien, temos o livro “O Senhor dos Anéis”, que coloca as lendas em um panorama adultos, plasmando e transformando as criaturas a seu bel prazer, obra de tamanha importância que gerou um exercito de seguidores que criaram até jogos (RPG) onde se interpreta essas criaturas. Não parando por ai, a editora de HQs Marvel tem como um de seus heróis Tor (ou Thor), o deus nórdico do trovão.

Descendo um pouco, e indo para o berço do Ocidente, encontramos a mitologia que é muito querida para mim, eu podia passar horas lendo os contos pertencentes a ela nos meus tempos de criança, e provavelmente a mais admirada e icônica, em um sentido quase que platônico. É essa a mitologia Grega, ela abrange suas influencias tanto aos RPGs já citados anteriormente (que na verdade são uma mistura de medievalismo com mitologia nórdica e grega) quanto em inúmeros filmes (como “Jasão e os Argonautas” e “Fúria de Titãs”), séries (“As Aventuras de Hércules”, que eu também adorava assistir quando criança) e jogos (God of War). Vemos também uma belíssima apresentação onde um centauro atira uma flecha que arde em chamas e ascende a pira olímpica nas olimpíadas de Atenas, mas também, só faltava uma olimpíada na Grécia não fazer nenhuma referência aos seres mitológicos não é? Não apenas por ser na Grécia, afinal os outros povos não costumam colocar suas mitologias em apresentações, mas por os dois terem compartilhado a mesma época e terem influenciado um ao outro. Por fim encontramos ainda referencias dessa mitologia em termos do nosso cotidiano, ou nem tanto, como a palavra bacanal ou “complexo de Édipo” (embora “Édipo Rei” não possa ser considerado parte da mitologia) e em nomes como Dionísio, deus do vinho, algo similar a isso acontece no Brasil, onde temos o nome Iara, que é a nossa “sereia” do rio.

Descendo mais um pouco, encontramos a mitologia afro-caribenha. Não vou falar de umbanda aqui, afinal isso é religião, posso acabar ofendendo pessoas por comparar com mitologia, e essa parte da cultura africana vai muito bem, obrigado. Já o mesmo não se pode falar dos deuses animais. Pobre de Anansi, deus aranha, contador de histórias. A única referencia que tenho dessa mitologia é no livro do escritor inglês Neil Gaiman (o mesmo das HQs Sandman) chamado “Os Filhos de Anansi”, esse mesmo deus é personagem em outro livro do mesmo autor: “Deuses Americanos”, ambos recomendadíssimos, principalmente o segundo.

Anansi fumando baseado.


Existem dois aspectos muito interessantes e únicos na mitologia africana, o primeiro é que os deuses são animais e homens, ao mesmo tempo, e não como uma criatura hibrida, diferente dos lobisomens e minotauros, aqui eles são animais e pessoas, mas também não é por transformação, eles simplesmente são as duas coisas ao mesmo tempo, ou mesmo três, se não me engano existem também lendas deles em formas hibridas. A segunda característica é que essa mitologia é otimista, para ela os tempos atuais são os bons, onde já nos livramos dos temores passados. É contado que antigamente as histórias eram de Nyame, deus do céu, e que todas as suas histórias eram tristes, e os homens também eram tristes por consequência, pois não sabiam contar histórias. Certo dia Anansi roubou as histórias de Nyame e as entregou aos homens, a partir dai o mundo se encheu de alegria, e as histórias passaram a ser felizes. Então para os antigos africanos as histórias tristes são da época que Nyame era dono delas, e as felizes são as atuais.

Como falei do otimismo da mitologia africana, vale mostrar minha visão sobre as outras também: a nórdica, assim como a indiana costumam levar tudo para o meio, para a neutralidade, ou seja, existe a destruição e tristeza, mas essas coisas são necessárias para a reconstrução e felicidade, ou seja essas 4 coisa possuiriam importâncias equivalentes. Na mitologia egípcia e também dos nossos indígenas, me parece que as histórias simplesmente são, sem cair no mérito de positivismo, negativismo ou neutralidade. Já na Grécia, o clima das histórias se tornam pesados, tudo costuma ter finais trágicos e as histórias são sempre extremamente dramáticas.

Exemplo de yokais. (Imagem do filme: "A Grande Guerra Yokai" de 2005)

(Ainda não assisti esse filme)


Por incrível que se possa parecer, o caso mais parecido com o brasileiro, vem do Japão (no sentido de tratamento da mitologia pela sociedade atual). Os Yokais (palavra para designar as criaturas fantásticas da mitologia nipônica) estavam as moscas, caindo em esquecimento depois da segunda guerra mundial, na minha humilde opinião muito antes disso: o Japão passou por uma crise cultural fortíssima durante alguns séculos. “- Imagina, Leonardo! O Japão respira sua cultura ancestral!”. Concordo! E o problema está justamente na palavra "ancestral", seria a reprodução a única forma de se prezar pela cultura? E é esse justamente o ponto, quimonos por exemplo, são o vestuário do século 16. Seria o equivalente de usarmos armaduras medievais aqui no ocidente. Tentando resumir a divagação (para voltar logo para a o que diz respeito ao TCC em si) após a abertura do Japão para o ocidente no Período Meiji, a produção (que fique claro) cultural japonesa que já não estava lá muito bem das pernas, se viu em um leito de morte. A retomada do ato de se fazer cultura volta apenas, como já foi dito, mas vale se lembrar, na minha humilde opnião apenas na década de 1980, com uma cultura agora POP, e voltada em grande maioria para o consumo (influencia clara da dominação estadunidense) de mangas e moda extravagante. Voltando para os yokais: o pós-guerra japonês foi um período conturbado no japão, sem se aprofundar, nessa época o pensamento racional extremo dominava e fazia essas belas criaturas serem deixadas de lado, foi graças a Shigeru Mizuk, escritor de histórias em quadrinhos (mangaka) que fez uma série para crianças baseada nesses yokais, que as criaturas voltaram a ter visibilidade, quase sempre porem em mídias voltadas para crianças ou nos teatros Noh. Entenderam o paralelo com o nosso folclore que citei anteriormente? (Nipônicos e nipófilos de plantão, podem me xingar nos comentários caso eu tenha falado merda [Rá, as vezes eu sou tão engraçado, até parece que alguém tá lendo isso.])

Por hoje fico por aqui. Vale lembrar que tudo o que foi dito é um ponto de vista meu.

A recomendação de hoje é a música "Flight of Icarus" do Iron Maiden.

2 comentários:

  1. Eu li!
    acho q se escreve 'desincentivasse' :P
    depois q vc assistir o filme, me fala se é bom! To assistindo InuYasha, então eu lembrei ehsuhsuhsu
    :*

    ResponderExcluir
  2. ok, pode deixar hehehe
    só não sei quando eu vou assistir pq eu nem beixei ele ainda.

    ResponderExcluir